CIÊNCIAS CRIMINAIS
Chega a ser ofensivo, mas é o que aconteceu recentemente, na nossa geração. Somo capazes de ler, assistir filmes do holocausto da Segunda Grande Guerra e ficarmos totalmente abismados com o que fizeram com os judeus nos campos de concentração. Mas era numa época que não se falava em direito humanos. Estavam em guerra e a guerra os permitia em realizar as maiores atrocidades com a vida humana.
Agora, pleno ano 2000, o mundo fica chocado com as atrocidades cometidas por aqueles que se dizem salvadores do mundo: o terror em Guantánamo
O pior é ver pessoas totalmente ignorantes (lato senso) no que tange a tortura e apoiar esse tipo de interrogatório, como é o caso da banda Metallica que está pra vir no Brasil.
Qualquer tipo de tortura deverá ser afastada, mesmo que esta não chega a ter contato com a vítima..
PS: recomendo assitir o filme A caminho de Guantámano.

Usando música como arma em Guantánamo*
*Tobias Rapp1
Por anos, os interrogadores americanos em Guantánamo usaram música dolorosamente alta contra os prisioneiros no Campo Delta. Músicos de rock como Tom Morello, do Rage Against the Machine, e organizações de direitos civis estão exigindo uma investigação da prática.
Em maio de 2003, um policial militar foi à cela de Ruhal Ahmed, no Campo Delta da prisão militar em Guantánamo, e o levou para a sala de interrogatório. Lá, ele foi forçado a se agachar enquanto o PM prendia os ferros em suas pernas a uma argola no piso. Então suas mãos foram colocadas às suas costas para que suas algemas também pudessem ser presas à argola no piso. Nessa "posição estressante", o prisioneiro é incapaz de sentar, levantar ou ajoelhar, só podendo se agachar em uma posição intermediária que logo causa câimbra. Ahmed estava familiarizado com esse tratamento, que fazia parte da "procedimento operacional padrão" usado para preparar os prisioneiros para interrogatório.
Ahmed estava em Guantánamo há mais de um ano. Por semanas, os interrogadores lhe faziam a mesma pergunta, repetidas vezes. O que ele e dois outros amigos, que foram capturados com ele, estavam fazendo no Afeganistão no final de 2001? Todos os três eram muçulmanos britânicos. A família de Ahmed originalmente imigrou daquela que atualmente é Bangladesh para o Reino Unido. Os homens eram tratados como os "Três de Tipton", uma referência à pequena cidade britânica de onde vieram. Neste dia em particular, havia também um aparelho de som na pequena cela de interrogatório de oito metros quadrados. O soldado inseriu um CD do rapper Eminem, aumentou o volume e partiu.
"Eu pensei: o que está acontecendo agora? Ele esqueceu o aparelho de som?" diz Ahmed. "Quando ele voltou, eu perguntei: 'Do que se trata? Por que está tocando Eminem?' Ele olhou para mim e não disse nada."
Na vez seguinte em que Ahmed foi levado à cela de interrogatório, a música era heavy metal em vez de Eminem. O volume era de estourar os tímpanos e a música era tocada por horas, às vezes dias inteiros. Às vezes eles também colocavam luz estroboscópica em seu rosto. A cela era escura e ele não podia ver nada exceto as luzes piscando em seus olhos. Os interrogadores também baixavam a temperatura do ar condicionado, forçando Ahmed a suportar horas de música e luz piscando em uma sala gelada. Ele não era autorizado a usar o banheiro e era obrigado a urinar e defecar em suas calças. As cadeias faziam suas pernas incharem enquanto a música ensurdecedora continuava incessantemente.
Uma jornada que terminou terrivelmente mal
Ahmed, atualmente com 28 anos, está de volta a Tipton, sua pequena cidade perto de Birmingham. Ele tem barba curta e aparada, veste um agasalho esportivo e fala com sotaque do norte da Inglaterra. Sua esposa, que está grávida, abre a porta do apartamento deles em um bairro de classe operária, onde a filha de dois anos do casal está correndo. Dois dos irmãos mais jovens de Ahmed também vivem na casa.
Ele foi solto em março de 2004, após passar mais de dois anos na prisão militar americana. O filme premiado do diretor Michael Winterbottom, "Caminho para Guantánamo", é baseado nas experiências dos Três de Tipton - uma jornada que terminou terrivelmente mal.

Os três amigos viajaram ao Paquistão para ir a um casamento em setembro de 2001. Ahmed tinha 20 anos na época. Com sede de aventura, eles cruzaram ingenuamente a fronteira com o Afeganistão, apesar da "Guerra contra o Terror" já estar em andamento. Ao tentarem voltar ao Paquistão com um grupo de talebans, combatentes da Aliança do Norte prenderam os três e eles acabaram sendo entregues aos americanos. Eles chegaram em Guantánamo no início de 2002.
"Quando digo às pessoas que música pode ser tortura, elas olham para mim e acham que devo ser louco. Como arte, que dá para pessoas tanto prazer, pode ser tortura? Mas é verdade. Você consegue lidar com tortura normal, mas não com tortura com música. Eu dizia para eles tudo o que queriam ouvir: que me encontrei com Bin Laden e o mulá Omar, que sabia quais eram os planos deles. Mas dizia isso apenas para que parassem."
Em Guantánamo, Afeganistão e no Iraque, assim como em outras prisões secretas americanas, militares e agentes da inteligência torturavam suspeitos de terrorismo. Seus métodos incluíam simulação de afogamento e privação de sono, assim como música alta. Os prisioneiros eram pendurados pelos pulsos por dias enquanto eram bombardeados com música de artistas como Dr. Dre. Eles eram atados, recebiam fones de ouvido e eram forçados a suportar "Saturday Night Fever", dos Bee Gees, por noites inteiras. Ironicamente, a música, a forma de arte frequentemente usada para mudar o mundo e que - em eventos como Woodstock, Live Aid e no Rock Against the Far Right (rock contra a extrema direita) na Alemanha - às vezes tiveram sucesso, foi transformada em arma na guerra contra o terrorismo.
Os artistas contra-atacam
Alguns músicos agora criticam fortemente a prática, incluindo a banda de trip hop britânica Massive Attack, o roqueiro americano Trent Reznor e a estrela country Rosanne Cash. Eles estão exigindo que a música pop não seja usada como arma e querem saber como a música deles está sendo usada nas prisões americanas.
Organizações britânicas e americanas estão apoiando os esforços dos músicos. O Arquivo de Segurança Nacional, uma organização de direitos civis americana que combate as políticas de confidencialidade de documentos do governo americano, deu entrada a petições com base na Lei de Liberdade de Informação exigindo a divulgação de documentos secretos do governo sobre o uso de música em interrogatórios. As petições pedem a divulgação de documentos de 11 instituições do governo nos quais os seguintes termos aparecem: "AC/DC, Aerosmith, a canção de 'Barney & Seus Amigos', The Bee Gees, Britney Spears, Bruce Springsteen, Christina Aguilera, David Gray, Deicide, Don McLean, Dope, Dr. Dre, Drowning Pool, Eminem, Hed P. E., o hino nacional americano, James Taylor, Limp Bizkit, Marilyn Manson, Matchbox Twenty, Meat Loaf, o jingle do 'Meow Mix' (uma propaganda de ração para gatos), Metallica, Neil Diamond, Nine Inch Nails, Pink, Prince, Queen, Rage Against the Machine, Red Hot Chili Peppers, Redman, Saliva, Stanley Brothers, Tupac Shakur, a música da 'Vila Sésamo'".
Funcionários do Arquivo de Segurança Nacional passaram semanas pesquisando para desenvolver a lista e poderá levar muito mais semanas para que uma decisão seja tomada a respeito das petições. Poderá levar meses ou anos para a divulgação dos documentos.